Go naked

A polémica campanha Go Naked (Lush Cosmetics)

terça-feira, 20 de outubro de 2015


Este é o cartaz da polémica. 
A Lush Cosmetics lançou a campanha Go Naked no sentido de retratar a preocupação da marca em utilizar embalagens eco-friendly (ou nenhumas), numa clara demonstração de preocupação ambiental. As modelos da fotografia são colaboradoras da Lush Cosmetics e voluntariaram-se para fazer esta campanha, passando a mensagem de referência corporal positiva, livre dos estigmas e amarras de "um corpo perfeito" impostos pela sociedade.

Esta campanha foi denunciada na Austrália e, por conseguinte,  removida das suas lojas no centro comercial na qual se encontrava.

A Lush Cosmetics teve algo a dizer, acerca da sua campanha, como resposta a alguns comentários da opinião pública: "A imagem é uma referência corporal positiva e não tem qualquer intenção de ofender ou provocar incómodo. As mulheres na imagem são membros da equipa da Lush que têm fortes opiniões acerca deste assunto e se voluntariaram para participar na campanha. A fotografia está completamente intocada, porque sentimos que não devemos ter vergonha dos nossos corpos no seu estado natural e que cada um de nós é bonito com a nossa diversidade, independentemente da cor, forma, tamanho ou estilo de vida".

Pois bem, é uma campanha provocatória, sem dúvida que sim, mas toca vários pontos fundamentais. Acorda-nos para a realidade hipócrita na qual vivemos. 
Vejamos por exemplo as inúmeras campanhas da PETA nas quais várias figuras públicas, como a Eva Mendes que vemos abaixo, se despiram. A verdade é que esta mesma campanha esteve exposta não só em centros comerciais como também em cartazes pelas ruas e não gerou metade da polémica. Conseguem compreender a diferença?


Já sei!!! O número de rabos expostos deve ser o critério fundamental para a exclusão de uma campanha: 4 rabos de mulheres comuns são capazes de crispar os ânimos de quem passa, mas o rabo perfeitamente trabalhado (em Photoshop) da Eva Mendes e a sua posição pseudo-sensual passam uma imagem muito mais idónea.

Rabos e ironias à parte, a verdade é que as pessoas que ativaram os meios legais para reclamar da "natureza pornográfica" da campanha da Lush Cosmetics são as mesmas pessoas que aceitam a disseminação da nudez, da violência e do preconceito em formas graficamente ofensivas e preocupantes. Esta hipocrisia conduz-nos a outras questões.



Por exemplo, a nossa sociedade aceita com facilidade as campanhas com fotografias de casais heterossexuais exploradas até à exaustão pelos media, particularmente nas marcas de estética/perfumaria. Muitas destas campanhas apresentam elevado teor sexual e, na minha opinião, são conteúdos desadequados a crianças de tenra idade que não têm o entendimento ou discernimento necessário para compreenderem o que lhes é transmitido.
No entanto, os pais preocupam-se muito mais com as campanhas onde vemos retratados casais homossexuais porque provocam "perguntas inconvenientes" e "reprodução dos comportamentos vistos". Os adultos estúpidos, permitam-me que simpaticamente os chame assim, tendem a ver a homossexualidade e a verdadeira natureza humana como "comportamentos desadequados". Os mesmos adultos estúpidos consideram que imagens sexualmente explícitas ou violentas não são assim tão más e que os miúdos têm de se adaptar a tudo. 

E assim se deturpam mentalidades, assim se ensinam os valores errados às nossas crianças, porque os pais estúpidos estão certos numa coisa: os filhos imitam os comportamentos que vêem, não em posters e imagens de 2 homens de mão dada ou de 4 mulheres de rabo ao léu, mas sim o comportamento preconceituoso dos pais.

Estes adultos têm, por vezes, a sorte de conviverem com crianças inteligentes que um dia serão adultos sem preconceitos e farão a mais inconveniente das perguntas: "Pai/Mãe, és tão estúpido(a) porquê?". E a resposta está à vista de todos, como os 4 rabos da campanha da Lush.



PS. Obrigada à leitora Verónica Pinheiro por me ter sugerido o tema ;)

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